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19/06/2019 às 15h04

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Eunápolis: a morte não explicada da jovem Tailaine Santos no HRE
A violência obstétrica pode ser física e/ou psicológica e atinge boa parte das mulheres e bebês em todo o país. Muitas dessas vítimas acabam ficando com sequelas. Algumas nem ao menos sobrevivem, assim como o caso da jovem Tailaine Santos, de 22 anos.
Eunápolis: a morte não explicada da jovem Tailaine Santos no HRE

Um familiar da vítima atesta a seguinte cronologia para o ocorrido com a jovem:


“Minha prima estava no nono mês de gestação, quando chegou a hora do parto (normal) não houve nada atípico, o parto foi um sucesso e em poucos dias ela e o bebê foram liberados.


Após o período de 72 horas, Tailaine passou a sentir fortíssimas dores no abdômen, principalmente na região pélvica.


A sua barriga inchava a cada instante, e o mais desesperador foi que ela não conseguia urinar, é como se houvesse uma obstrução no canal da uretra, impedindo a passagem da urina.


Mesmo com os cuidados da família, nada fez com que a dor aliviasse, foi quando decidimos retornar ao hospital regional.


Foi realizada uma ultrassonografia, e para o nosso espanto havia uma grande quantidade de GAZE (Material de tecido fino, mas extremamente resistente) no abdômen da Tailaine, então os médicos decidiram retirar a gaze manualmente, e após terem puxado o que acreditaram ser todo o material, decidiram manda-la para casa.


Mesmo após todo este procedimento, durante mais dois dias a paciente continuou muito inchada e sentindo dores ainda mais fortes do que as anteriores, decidimos mais uma vez leva-la ao hospital, lá fomos informados que os rins dela estavam completamente inflamados, e a bexiga parecia que ia estourar a qualquer momento, então ela urinou através de uma sonda, e novamente a liberaram.


Mais dias foram se passando e o sofrimento só aumentava, e a urina não era liberada naturalmente, Tailaine ficou quase 3 dias seguidos sem urinar, como não possuímos recursos financeiros para leva-la a um hospital particular, fomos obrigados a novamente retornar ao HRE, desta vez ela ficou internada.


Após alguns exames foi constatado que os rins ainda estavam muito inchados, por isto ela não conseguia urinar e a dor não cessava, mesmo tomando remédios fortíssimos, a paciente agonizava de dor.


O hospital decidiu por fazer uma nova cirurgia, sob a alegação de que a paciente estava com a “bexiga alta”.


Após a cirurgia veio a liberação para retornar ao seu lar, mas, mesmo após a intervenção cirúrgica, em casa, Tailaine ficou por uma semana com dores e sem conseguir urinar, desta vez, já em desespero novamente a levamos ao hospital e ela foi direto para a Ala vermelha, neste momento ela já estava com uma crise de hemorragia, sangrava por todos os orifícios, nariz, boca, ouvido, olhos, vagina, ela já havia perdido a consciência, não abria os olhos e nem respondia aos sinais.


Passou dois dias neste estado, até que por fim entrou em coma, a equipe médica relatou que se tratava se uma infecção generalizada e que fariam o possível para salvar a jovem.


Após alguns dias a jovem por fim abriu os olhos, mexia uma das mãos, mexia as pernas. No entanto, no dia 10/06 a jovem teve uma crise violenta de dor, febre altíssima, e os inchaços voltaram, só que muito piores, neste momento os familiares entraram em desespero; segundo o que foi informado a família os rins e os demais órgãos foram parando aos poucos. Por fim, as 05:00 da manhã Tailaine veio a falecer, descansou de tanto sofrimento.”


A MORTE DE TAILAINE NÃO FICARÁ SEM RESPOSTAS:


Embora seja aterrorizante, relatos como estes não são raros dentro do hospital regional, nos últimos anos a morte de recém-nascidos, gestantes, idosos, e casos que aparentemente são simples acabam se tornando o motivo do óbito de centenas de pessoas. 


Tesouras são deixadas no abdômen de pacientes após uma cirurgia, pessoas que morrem após esperar semanas por uma vaga na UTI com Hemodiálise (serviço que não está disponível em Eunápolis). Prontuários que, segundo mencionado por familiares, desaparecem na hora da cirurgia, dentre outras situações.


Mas desta vez o Ministério Público e a Defensoria Pública cobrarão respostas para este óbito, não é admissível que GAZES sejam deixados ou “esquecidos” dentro do corpo de pacientes.


Nada trará a vida da jovem de 22 anos, uma garota que havia acabado de realizar o sonho de ser mãe, mas jamais iremos nos omitir diante deste fato tão escabroso.


Como que GAZES são deixadas no corpo de uma paciente, mesmo após o parto ter sido de modo natural?


Neste caso também faltou a declaração de óbito, cuja finalidade não é só confirmar a morte, mas, ainda, a definição da causa mortis e dos interesses de ordem legal e médico-sanitária.


Quando se fala em violência obstétrica, o assunto é de relevância tão grande que a Organização Mundial de Saúde, em 2004, por meio da declaração sobre “Prevenção e Eliminação de Abusos, Desrespeito e Maus-tratos durante o Parto em Instituições de Saúde”, caracterizou tais abusos como violência obstétrica, de modo que tal prática atinja criminalização, a exemplo do que já se fez com o assédio sexual, com a violência contra a mulher e com outras condutas violadoras da dignidade humana.


 À revelia do que manifestaram os responsáveis pela gestão, esperava-se que pelo menos a Comissão de Ética Médica do Hospital, diante da comunicação do ocorrido abrisse sindicância para apurar a responsabilidade do profissional (negligência), porquanto, segundo o artigo 29 do Código de Ética Médica: 
É vedado ao médico: 

“art. 29 – Praticar atos profissionais danosos ao paciente, que possam ser caracterizados como imperícia , imprudência ou negligência.”


Ademais, a morte da paciente não parece seguir o fluxo de esclarecimento, já que de acordo com o Conselho Federal de Medicina, através da Resolução CFM n.º 1-290/89, que estabelece alguns critérios para caracterização de óbito registra que na ocorrência de morte por causa externa (ou não natural) a DO deveria obrigatoriamente ser fornecida pelo Instituto Medico Legal (IML) a fim de que haja a descrição sumaria do evento, esclarecendo efetivamente o motivo do óbito.


O que não aconteceu no caso em tela, que até aqui sugere morte violenta “aquela resultante de ação exógena e lesiva, mesmo tardiamente” ou morte suspeita de violência, o “falecimento inesperado e sem causa evidente”.


Importante registrar que nos casos em que a mulher sofra violência obstétrica, ela pode denunciar no próprio estabelecimento ou secretaria municipal/estadual/distrital; nos conselhos de classe (CRM quando por parte de profissional médico, COREN quando por enfermeiro ou técnico de enfermagem) e pelo180 ou Disque Saúde – 136.


O OUTRO LADO:


A nossa reportagem esteve conversando com a senhora Nathielly Andrade Medeiros, Diretora Geral do HRE, que informa que ainda não pôde prestar um maior esclarecimento sobre o fato ocorrido, pois aguarda resultados periciais, que segue aguardando a vigilância do óbito lhes dar um retorno e que jamais foi procurada pelos familiares para fins de esclarecimentos ou para dispor de documentos relacionados à paciente.


Já a Secretária de Saúde do município, Márcia Quaresma, informa que “ninguém morre por causa de GAZE esquecida no corpo”.


A medida que nós tomamos conhecimento do falecimento foi acionada a vigilância do óbito da secretaria de saúde para proceder com as investigações, estamos no aguardo do relatório que é uma fase que compreende uma investigação hospitalar, uma investigação do domicilio, uma investigação do ambulatório… Ou seja, todo o processo, todo o caminhar da paciente, nós iremos estar investigando e a gente está aguardando este relatório para a gente verificar o que aconteceu e tomar as medidas cabíveis nesta situação.

FONTE: prefeitura

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